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Cada vez mais jovens....50 são os novos 30

Cada vez mais jovens....50 são os novos 30

Um filme francês que está fazendo sucesso aqui e lá fora, chamado “50 são os novos 30”, dirigido por Valérie Lemercier, retrata com muito humor a confusão que vivemos em situações muito bem definidas até pouco tempo atrás. Era mais fácil entender os papéis de cada um e os códigos apresentados pela vida, não é mesmo?  

Tudo bem que quando era criança, eu achava que as normalistas (eu explico: moças que cursavam o Normal, equivalente ao segundo grau de hoje, para serem professoras) eram mais que adultas, jovens prontas pra casar e ter filhos. Minha mãe se casou com 22 anos e já era olhada como quem ia ficar pra titia. Hoje aquelas normalistas são as meninas que ainda nem sabem o que querem e o maior desafio quem têm pela frente é escolher uma profissão e se preparar para o vestibular.

É natural que a percepção e o desempenho na vida sofram alterações provocadas pela própria evolução. Mas parece que as mudanças nunca foram tão grandes como agora.

No filme em questão, uma mulher leva um choque ao completar 50 anos, pra depois perceber que nem tudo está perdido; aliás, a vida pode estar se abrindo novamente, já que nessa idade é mais comum que se tenha menos preocupações com o futuro, os filhos estejam crescidos, a estabilidade econômica seja uma realidade e por aí vai.

Lemercier explora a nova fase da vida numa comédia bastante inteligente. É daqueles filmes que parecem ter sido feitos a partir da própria experiência (ela mesma tem 54 anos e encarna a personagem principal, Marie-Francine) ou com função psicanalítica pra entender a própria vida.  E nada mais saudável do que conseguir rir de si mesmo, né não?

O cinema tem sido pródigo, ultimamente, em retratar personagens maduros ou até idosos. Algumas obras-primas se destacam, como o também francês “Amour”, de Michael Haneke, um filme de tirar o fôlego, como um soco na boca do estômago; mas na maior parte encaram de forma mais divertida a vida de idosos, como o inglês “O Exótico Hotel Marigold”, de John Madden, e “O Quarteto”, dirigido por Dustin Hoffman.

De quebra, esses filmes nos trazem interpretações magistrais de atores e atrizes que andavam esquecidos, como Maggie Smith e Tom Courtenay (O Quarteto); e Judi Dench, Tom Wilkinson e de novo Maggie Smith, impagável em Hotel Marigold.

Apesar do aumento de filmes deste nicho, não é sem resistência que isso acontece. Pra estrelar um filme mais que delicioso que está nos cinemas, “Do jeito que elas querem”, de Bill Holderman, Jane Fonda (80 anos), Candice Bergen (72 anos), Diane Keaton (72 anos) e a “caçula” Mary Steenburger (65 anos) tiveram de brigar muito, já que os produtores queriam gente mais nova nos papéis.

Tudo bem, o cinema até fala sobre essa faixa, mas vamos com calma, as atrizes, especialmente têm que estar ainda lindas e desejáveis. Os big bosses resistem a se render a um nicho que só cresce e que tem poder aquisitivo pra desfrutar a vida. Eles ainda não perceberam que os idosos estão cada dia mais jovens.

PS (o antigo Post Scriptum): por falar em Jane Fonda, quem ainda não viu a série “Grace e Frankie”, no Netflix, precisa corrigir essa falha com urgência. Fonda contracena com Lily Tomlin – não dá pra saber quem é melhor e quem nos faz rir mais – numa história deliciosa, de mulheres maduras que não conhecem as palavras rendição e tabu. A estreia da quarta temporada, no começo deste ano, foi campeã de audiência nos Estados Unidos. Será que ninguém enxerga?

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