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O Hipster e a “Gentil Gentrificação”

O Hipster e a “Gentil Gentrificação”

Lembro de um episódio da série Unbreakable Kimmy Schmidt (Netflix) em que a personagem Lilliam - uma senhora hippie - fica desesperada quando um “povinho” Hipster decide abrir um negócio no seu Bairro por motivos de: Hipster=gentrificação.

Mas eu sempre pensei que esse povo tão namastê-yoga-paz-e-amor-sustentável, soubesse o peso que a gentrificação tem. Mas parece que pensei errado! No dia 11 de maio o bar Negritas(!), publicou em sua página no Facebook uma nota de despedida, em que justificava o fechamento do estabelecimento, localizado na Rua São Francisco, em razão da vitória dos adolescentes pardos da periferia, que passaram a utilizar do espaço público da rua (COMO OUSAM!!!!) bem como da derrota da “GENTIL GENTRIFICAÇÃO”, que o bar tentou, sem sucesso, emplacar.

Logicamente que a página do bar foi bombardeada com a manifestação de pessoas revoltadas com a nota infeliz, razão pela qual o Negritas excluiu a nota e fez um pedido público de desculpas aos que se sentiram ofendidos.

Mas um pedido de desculpas não é capaz de jogar uma pá de cal no assunto, quando apesar das desculpas, continuam disseminando a idéia de que tudo não passou de falta de interpretação de texto por parte de quem se sentiu ofendido. Pois tudo o que se tentou argumentar foi a infeliz constatação de que a classe média branca atura o traficante, mas é incapaz de conviver com o jovem pardo da periferia no rolê.

No entanto, o peso da nota não está na “brilhante” constatação de conflitos e diferenças raciais e de classe existentes na ocupação da rua, mas na ideia de que a GENTRIFICAÇÃO pode ser GENTIL! Quando a gentrificação não pressupõe a coexistência das classes sociais, mas a valorização de certos pontos da cidade que culmina com a expulsão dos moradores e frequentadores de baixa renda.

Além disso, é muito triste que faltando dois dias para o dia 13 de maio, data em que a Abolição da Escravatura completa 130 anos, um estabelecimento estigmatize em seu post os jovens “pardos” e periféricos, que já são tão marginalizados e que não fazem mais na calçada das ruas centrais do que os jovens brancos de classe média fazem nas baladas mais caras da Cidade.

O sonho do Bar Negritas de higienizar a “Rua do Fogo” (lar das prostitutas) morreu, mas a Rua permanece, cheia dos seus loucos e tantos outros Negritos e Negritas que fazem do rolê a válvula de escape da vida loka e do trabalho cansado. Partiu São Fran??

*Foto: hashtagcuritiba.com


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Mariana Raquel Costa
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Nasci Mariana Raquel, mas a vida me fez Diva.

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