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A rainha das socialites curitibanas

A rainha das socialites curitibanas

A resposta à pergunta se ela é a rainha das socialites curitibanas já revela um pouco de sua personalidade. “Querido, ninguém se apresenta como socialite. Só os terceiros que podem fazê-lo. Socialites de verdade recusam esse rótulo”. Impossível não cair na gargalhada estando ao lado dela e essa reação se repete durante toda a conversa com Norma Camargo, 76 anos, que estreia minha participação como colunista de lifestyle no canal CuritibaÉ.

A escolha da rainha das socialites curitibanas (aqui, eu me coloco como o terceiro), para marcar o começo deste espaço, se deve ao meu desejo de seguir os passos dela: transitar com desenvoltura tanto nos salões do Graciosa Country Club como entre as bancas de uma feira livre (como ela faz, todas as quartas, no ponto ao lado do seu apartamento, no Bigorrilho). Uma das mulheres mais elegantes da capital, Norma exala aquela classe low profile por onde passa e, como poucas, sabe quem é quem na sociedade curitibana.

Norma exibindo sua elegância low profile em Trancoso (BA).

“Conheço o melhor do melhor, mas não pense que tive vida mansa. Trabalhei muito, criei filhos e cuidei da casa. Construí uma carreira e fui o sinônimo de uma marca de joias que ninguém conhecia no Paraná”, recorda Norma, referindo-se aos 25 anos à frente da outrora badalada joalheria Natan.  

Ela durante nossa divertida conversa sobre sociedade e elegância.

A senhora Marins Camargo, seu apaixonadíssimo casamento já dura 58 anos, revela que a passagem de nove anos pelo Rio de Janeiro a tornou a anfitriã irretocável, do tipo que programa as louças e placements de seus concorridos almoços, brunchs e jantares.

“Eram os anos 70, um Rio glamouroso, onde eu jantava na casa de amigos, ao lado de Carmem Mayrink Veiga e Lourdes Catão. Depois, todos íamos ao Régine’s, onde já estavam na pista Joan Collins, Ursula Andress, Jane Birkin e Omar Sharif”, recorda Norma.

Norma com seu marido, Marins Camargo, e sua mãe, Dona Leda. 

Mas nem pensem que ela é saudosista. “Temos que nos reiventar o tempo todo e estarmos abertos às mudanças que estão ocorrendo”, garante Norma.

Super conectada e apaixonada por viagens, ela perdeu as contas do número de países que já visitou. Mas, segundo Norma, daria para dar algumas voltas ao redor do planeta. “Acabei de voltar da Austrália, onde fui com Marins para visitar meus netos. Este mês, embarco para Londres com amigas, onde vou pegar o Orient Express e seguir para Veneza”, conta a globetrotter curitibana.

Norma é reconhecida como uma das melhores anfitriãs de Curitiba. 

O segredo para tanta disposição? “Aprendi com minha mãe, Dona Leda, que tem 98 anos, que a vida é uma só”, confidencia a rainha das socialites da capital.

A seguir, você conhece um pouco mais sobre Norma Camargo:

 

Bob Couto - Ser elegante dá trabalho?

Norma Camargo - Não, desde que você encare isto com naturalidade. Na realidade, a elegância está longe de ser algo relacionado à classe social ou quanto dinheiro uma pessoa tem ou a roupa de grife que a pessoa está usando. Todo mundo na vida já conheceu gente rica e elegante, gente rica e grosseira, gente pobre elegante e gente pobre grosseira. Dinheiro diz o que você pode comprar, mas não limita nossa postura. Coco Chanel teria dito que uma garota deve ser duas coisas: elegante e fabulosa. E com isso, ela provavelmente quis dizer que é chique adotar uma personalidade elegante e sentir-se fabulosa. E a elegância é algo muito mais abstrato. Ela é um conjunto de atitudes. É ser educada, polida e gentil com os outros ao redor e consigo mesmo. A simplicidade, inclusive, é o máximo da elegância.

 

Bob Couto - Então, simplicidade é uma arte?

Norma Camargo - Vou começar a resposta com outra frase, que teria sido dita por Leonardo da Vinci: simplicidade é o último grau de sofisticação. Eu acredito, na realidade, que simplicidade é uma forma de ser. Vale para a moda, para os gestos, para o comportamento, para como tratamos o garçom no restaurante, a menina que nos atende em casa, o porteiro de um prédio.

 

Bob Couto - O que é preciso para viver?

Norma Camargo - Muita humildade , amor e saúde.

 

Bob Couto - No passado, as filhas queriam ser iguais as mães. Hoje, você vê mais mães querendo ser as filhas. Você acha que as mulheres acima de uma certa idade deveriam evitar expor pele e ter um comportamento mais contido?

Norma Camargo - Toda mulher deve ter consciência e autocrítica suficiente para saber se postar de acordo com sua idade. Nenhum de nós tem que seguir um modelo ou outro porque nossa existência não exige tudo isso. Como imagem, até pode ser interessante, mas o julgamento é mais conteúdo e menos aparência. No caso das intervenções cirúrgicas, hoje em dia é mais legal para uma mulher buscar tratamentos que sejam muito mais suaves do que radicais.

 

RAPIDINHAS

Livro?

“Sari Vermelho”, a biografia de Indira Gandhi, que li antes de ir à India.

 

Um filme?

“O Diabo Veste Prada”, divertido, fala de moda e traz a diva Meryl Streep.

 

Um estilista?

Giorgio Armani, que é eterno.

 

Cidade que ninguém pode deixar de conhecer?

Roma.

 

Uma ideia vintage?

Camafeu com uma fitinha. É um luxo e hoje está em anéis, colares, brincos e broches.

 

Uma ideia futurista?

Lady Gaga. É só ver os clipes.

 

O que é sucesso?

 É o conjunto de acertos na vida do ser humano.

 

Melhor lugar para compras?

Miami.

 

O que não gosta em você.

Minha franqueza.

 

O que mais aprecia em uma pessoa?

O caráter.

 

O que você dispensa em uma pessoa?

A prepotência.

 

Melhor cidade para descansar?

A da pessoa.

 

Uma viagem inesquecível?

A última, para a Austrália, com meu marido Marins e dois netos.

 

Qual seu ritual de beleza?

Gargalhar sempre! Rir muito é o melhor exercício para os músculos faciais!

 

Um conselho que Dona Leda, sua mãe, lhe deu e até hoje você não esqueceu.

Nunca pense que você é linda.

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Jornalista, com mais de 20 anos de atuação, me integro ao time do Curitiba É para mostrar o meu olhar sobre o life style da capital. As festas, as personalidades e os eventos sociais da nossa cidade vão estar, aqui, na nossa "praça".

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