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Advogados curitibanos botam banca

Advogados curitibanos botam banca

É impressionante como a Lava Jato alavancou a vida dos escritórios de advocacia de Curitiba e, claro, de todo o ecossistema jurídico que gravita em torno deles. A cada novo movimento  do MPF, da PF ou do TJF, se assiste a um verdadeiro festival de oportunidades que se abrem para quem tem OAB, atua na cidade e tem conexão com os corredores mais decisivos da capital.

Só por conta de uma das fases, a 48o, que deflagrou a Operação Integração (que investiga denúncias que envolvem agentes públicos do DER-PR, DNIT, Governo do Paraná e concessionárias de rodovias federais) temos quase 80 advogados defendendo parte dos 18 denunciados  — sim, somente uma parte, pois alguns dos acusados ainda nem nomearam seus defensores, até esse momento.

Esses 80 advogados se distribuem por  26 escritórios até o momento. Nesse ranking, Curitiba lidera com folga uma vez que conta com 15 escritórios  trabalhando para defender os denunciados da Operação Integração. São Paulo vem em seguida com 6 escritórios, Londrina, com 3 e Paranavaí com 2. Some-se a isso, outros advogados listados nos autos,  que não representam nenhuma grife jurídica ou têm o seu nome na placa de aço escovado na porta de um escritório.

Outro aspecto curioso é a entrada das especialidades nesse jogo de defesa e acusação. No começo da Operação Integração, em 22 de fevereiro, os advogados vinham de áreas variadas: tributária, empresarial e até trabalhista. Mas, conforme o avanço dos processos, é flagrante a entrada de advogados especialistas nas áreas criminal e penal. Aliás, segundo especialistas,  `criminal ` e `penal` é meramente uma diferença semântica, mas nem vou entrar nessa discussão por ora. Até porque, especialmente os criminalistas fazem questão de colocar a sua especialidade em bold e grifado, nos diversos documentos apresentados. 

Troca-troca de advogados  

É interessante observar também que o enfrentamento das acusações do MPF e da caneta do juiz Sérgio Moro, vem provocando troca-troca de advogados e o surgimento de novos escritórios em Curitiba. Enquanto as empreiteiras envolvidas em outras operações da Lava Jato apelam para advogados peso-pesados, que ficam em São Paulo e Brasília, as concessionárias e os agentes públicos da Operação Integração procuram prioritariamente por advogados curitibanos — uns tradicionais e conhecidos. Outros nem tanto.

O caçula dos escritórios é Tracy Reineldet Advocacia Criminal, que nasceu entre março e abril no calor da prisão de Lula, em Curitiba. Seu titular, Tracy Joseph Reinaldet dos Santos, que se graduou em 2010 na PUCPR e tem 31 anos, ganhou vitrine em eventos decisivos da Lava Jato. Participou da condução da delação premiada do doleiro Alberto Youssef, que estremeceu o país.  Conhecido por defender a delação premiada como principal estratégias de defesa, Tracy está se habituando a substituir colegas no front. Em abril de 2017, ao lado do então sócio Adriano Bretas (da Bretas Advogados) , assumiu a defesa do ex-ministro Antônio Palocci no lugar do criminalista veterano José Roberto Batochio, de São Paulo. E tudo indica que está perto de conseguir a tão sonhada homologação para tornar o `` Italiano``realmente num ``delator oficial``.  Em paralelo, Tracy estreou como dono de banca,  no último 22 de abril, quando substituiu o escritório Beno Brandão Advogados Associados, para tentar convencer a Força Tarefa que vale a pena chancelar a delação de Nelson Leal Júnior. O ex-diretor geral do DER-PR (considerado nos autos de Moro, como um dos responsáveis do esquema que está sendo investigado na Operação Integração), talvez possa ser para o Paraná, o que Youssef foi para o Brasil. Será?

 


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Canal Curitiba É
Sonia Marques
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Sou jornalista e expert em soluções em posicionamento de mercado|imagem de negócios, start-ups, ideias e projetos usando vivência e know-how em inteligência de negócios, planejamento estratégico, branding, marketing, comunicação, RRPP e mídia.

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