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Minha história com o Outubro Rosa

Minha história com o Outubro Rosa

 

O Outubro Rosa nasceu nos Estados Unidos, oficialmente na década de 90, mas as ações começaram 70 anos antes, quando o uso do laço rosa por participantes de uma maratona foi incentivado.   O movimento para alertar as mulheres sobre a importância da mamografia e do autoexame, na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer de mama, chegou ao Brasil em 2002. Como jornalista em Curitiba, acompanhei de perto desde a primeira vez que o Jardim Botânico de Curitiba foi iluminado de rosa,  depois a Ópera de Arame, as primeiras caminhadas, as primeiras reportagens. Mal sabia eu que, um dia, estaria ali, entre aqueles que contribuem com esse movimento.

Em dezembro de 2015 fui diagnosticada com câncer de mama. Em outubro daquele ano eu tinha acompanhado e me emocionado com  as reportagens a respeito do tema. Lembro como se fosse hoje de ter telefonado para o jornalista, Odilon Araújo, para dar parabéns a respeito de uma linda matéria feita por ele e exibida na RPC. Uma ou duas semanas depois, encontrei o nódulo na minha mama esquerda. 

Demorei um pouco para conseguir data para fazer a mamografia, exame que informou que existia mais de 90% de chance de eu estar com um tumor maligno. O resultado da biópsia veio em dezembro. Entre o Natal e Reveillon fiz minha primeira quimioterapia. No mesmo dia, publiquei o primeiro post do meu blog, o Laços do Peito. Nele conto minhas experiências como paciente, as pessoas que conheci, as que perdi, falo dos tratamentos, desvendo um mundo que eu fui conhecendo aos poucos, conto da experiência de enfrentar um câncer com bom humor e alegria. Hoje, falo sobre meu trabalho como voluntária, sobre novidades em tratamentos e assim por diante, conto histórias de outras pessoas, enfim! Tem muita coisa lá.

Sobre o tratamento, pra resumir: foram 16 sessões de quimioterapia, uma cirurgia que conseguiu preservar parte da minha mama e alinhar a outra e vinte e poucas sessões de radioterapia. Quase 11 meses de tratamento. Meses em que  fiquei careca, engordei quase 15 quilos, aprendi a receber ajuda e a depender dos outros. Aprendi a ser mais paciente e mais tolerante. Aprendi a importância de confiar. Afinal, eu tive que confiar 100% nos meus médicos. Pessoas maravilhosas que moram num lugar muito especial do meu coração. Também aprendi que a felicidade está nos detalhes.

foto tirada no início do tratamento, mas quando já estava careca.

 

Nunca vou esquecer do dia em que, depois de tirar o catéter que usei no braço (por onde os quimioterápicos entravam no meu corpo), eu me emocionei durante o banho!!! E sabe  por que? porque pude molhar e lavar meu braço, depois de seis meses...

Senti um alegria tão intensa, foram sentimentos tão fortes osque vivi naquele momento que quase chorei. Ou, talvez, tenha chorado e as lágrimas escorreram com a água que caía do meu chuveiro, não sei, não lembro dessa parte, rsss.

Dá pra entender como descobri que a felicidade mora nos detalhes? 

Em junho de 2016, na semana da minha última quimioterapia, fui a São Paulo fazer uma formação como palestrante. Poucos meses depois,  estava dando palestras de prevenção em empresas, falando sobre a importância da alegria e da autoestima para os pacientes. Até para profissionais de saúde eu já pude falar, com eles abordei a diferença que um atendimento humanizado pode fazer na vida de um paciente.

Foto  de Juliana Gracia: eu e  meu fiel companheiro, Buddy!

De dezembro de 2015 pra cá, passei por muitas transformações, muitos desafios, mas jamais perdi a vontade de vencer cada um deles. Aprendi o poder da aceitação e da atitude positiva. Descobri minha missão, por meio do blog e do voluntariado e uma nova área de atuação profissional. Trabalho hoje para médicos, fazendo aquilo que eles não tem tempo de fazer. Redes sociais, site, videos, elaborando campanhas e dando pitacos sobre o funcionamento e a estrutura dos consultórios, etc. Uso toda a experiência acumulada nos meus quase 50 anos ( serão completados em maio), numa atividade que me dá muito prazer, que executo com amor.

Sobre o Outubro Rosa, minha agenda de palestras voluntárias está mais uma vez cheia. E eu feliz em poder levar uma mensagem de esperança, de autorresponsabilidade com a saúde, e de alerta adiante, pelo terceiro ano consecutivo! Aqui, quero dizer a vocês, mulheres cuidem de vocês! homens cuidem de suas esposas, de suas mães, de suas irmãs e filhas. O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo. A mamografia é um meio de prevenção e diagnóstico precoce. O autoexame pode ajudar a mulher a descobrir um tumor enquanto ainda há tempo. 

 

foto tirada hoje, 02.10.2018, depois de uma palestra na empresa Doctoralia.

 

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